domingo, setembro 16, 2007

Para sempre



Lembrei-me de ti. Maldita a hora. Maldita a vista. Maldito o falar silenciado e o calar ensurdecedor.
Queres saber? Sim, ainda se me rompem as fibras do coração por te pensar. E sim, ainda nos meus olhos brota a água da fonte que é veneno. O cheiro intenso da tua pele some-se irreversivelmente na minha. Já mal o sinto! Já ninguém o sente! Os lençóis, esses, choram no meu dorso despido o frio de que agora padecem. O tempo gelou-me o corpo e tornou intocavéis os meus outros 21 gramas. Sim foi esse amor sem amor que me matou. É esse amor que hoje enterro comigo em bonitas saudades.
Sempre para sempre!



Guardo-te o sorriso único.
Guardo-te as lágrimas que sei, ninguém mais provará.

terça-feira, julho 10, 2007

Dói!


Quero beijar-te só mais uma vez, tocar-te o colo e sentir-te a respiração. Mas a distância que nos separa é maior que o meu amor. Não, não vou lutar mais por ti. A minha batalha com o soldadinho de chumbo foi ganha num velho tabuleiro de xadrez. Mas a ambição e a vingança que te levou a olhar-me ao longe levou-te à morte.
Hoje arrasto-me pelas ruas da cidade, mirando as luzes e escutando o sussurro do vento que sopra na minha face, melancólico e moribundo. Aos poucos a volúpia vai-me destruindo e o ócio dá-me mais ânimo para prosseguir a caminhada. Sei que é longa e solitária - porque tu já te foste embora - mas nem por isso desisto. Porque sei que lá do alto, entre Deus e o Diabo, tu me olhas tranquilo, cheio de remorsos por me teres atirado aos leões.
Consigo perdoar os teus erros porque sei que te arrependes. Mas é impossível perdoar a tua loucura. Porque também não perdoas a minha.


(Ainda) dói!

terça-feira, março 27, 2007

Our hopes and expectations


Hoje não me contaram a história que pedi ao adormecer. Se estou triste? Não, não (apenas) por isso...Mania de pedir as coisas em silêncio!




segunda-feira, março 26, 2007

Dois braços à minha espera


Acordei durante a noite. Tive um sonho horrível. Ainda estremecia o corpo assustado, quando me abraçaste, quebrando o medo, pulando fronteiras, correndo-me o corpo. A romper o silêncio, apenas um respirar aflito, e um coração acelerado com pressa de te encontrar.

Sempre soubeste mais de mim, que eu própria. Tens a arte de fazer sentimentos, a habilidade de gerar sensações. E a sabedoria que inveja qualquer adivinho de jornal.

Naquele leito despido, pousaste-me enfim a voz no peito. Cortante. Suave. Meigo. E num tom ainda quente, sussurraste calmo e baixinho: «estás bem?». Por um instante, a resposta fugiu-me à vontade, e limitei-me a tocar-te o rosto com o olhar.

Não, não te o vou dizer. Estou habituada a resolver tudo sozinha. Mas na verdade, digo agora que não me podes ouvir, enquanto me abraçares assim... Sim, está tudo bem.




Devia ter-te dito. Devia tanto ter-to dito!

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Timeless



Demoro. Passagens. Inexistentes. Rápidas. Enquanto desfragmento o computador. Enquanto desfragmento pedaços de(a) vida. Promessa: volto mais tarde para continuar a encaixar, deliciada, as peças do puzzle.

.Timeless. i

segunda-feira, novembro 20, 2006

Algo teu

"É só o nada a bater-nos à porta
E a mim importa-me que
estejas a meu lado

Enquanto o medo vai dançando à nossa
volta

É só uma imagem que sonhámos doce imagem
Nada que um dia após o outro reproduza
Mas meu amor
estaremos sempre de passagem
Esquece o que eles dizem sobre
um grande amor

Quem podia mais querer-te como eu
Nada que acredite conseguir mostrar pois é algo teu"


Pluto - "Algo teu"

domingo, novembro 19, 2006

Arrepio

Arrepias-me. Arrepia-me o toque da tua mão quando toca na minha. Arrepia-me a tua presença, a forma como olhas nos meus olhos quando me falas. Arrepias-me sempre que me abraças, que me beijas a testa, os olhos, a pele...Sinto-me testemunha da tua alma, mesmo que não a creias existente. Conheço-te os recantos hoje mais do que ontem e isso também me arrepia. Provoca-me calafrios de medo o facto de saber que não te terei por perto mais uns milhares de segundos, de não te poder sentir a presença, de não te saber aqui comigo. Arrepia-me o teu sorriso, a simplicidade das tuas 'covinhas'. Mas acima de tudo, arrepia-me que me arrepies. Será que te soa estranho?

sábado, outubro 21, 2006

De ti!

Continuo escondida por entre o par de lençóis amarfalhados em comunhão com o corpo. Dou por mim [re]caída sobre a cama, cansadamente desperta. É sempre em noites assim que reactivo o pensamento, que me decoro de razão e que abaulo o coração. Uma e outra vez.
A madrugada carrega ao peito a clarividência. De repente faz sentido... E bem ali, penso, penso mais e repenso. Não, não és como alguém disse antes, o meu maior desafio. És muito mais do que isso. És, sem a mais infima dúvida, o renascer, o despertar de um ser que julgava inexistente.


E cresce todo um desejo que teima em ficar. De te ver. De te ouvir. De te tocar. De ti...

domingo, outubro 15, 2006

Dói"s"-me

Dói-me. Dói-me muito. E não sei onde. Dói-me quando olho para ti, quando te vejo já ao longe, de cigarro encarcerado entre os teus dedos tão monstruosamente pequeninos. Dói-me saber que só te volto a ver quando já for tarde, e quando a dor se cansar de tanto me cansar. Tenho as mãos suadas e o coração a transpirar de tanto dar voltas e revira-voltas. Dava tudo para saber estancar o palmo e meio de rasgo que me fazes na carne, não para o fazer, mas só para saber como actuar em caso de extrema urgência, que de urgência já eu vivo. Dói-me muito, mas não sei onde. Se agora mesmo entrasse nas portas cansadas de um qualquer hospital, ficaria dia e meio para explicar onde e o que me dói. E ainda assim, dia e meio depois, estaria exactamente no mesmo ponto da conversa. Estaria de frente para uma bata branca, curvado de dores, de soro a violar-me o braço e o sangue, e de coração semi-risonho, como uma criança que faz das suas e olha para o lado para que ninguém a veja. "Juro que me dói senhor doutor, juro-lhe." De que vale explicar uma dor a quem nunca a sentiu? A dor que me causas passa os limites de cinco países juntos.Apetece-me beber-te a conta-gotas.
Dói-me. Dói-me muito. E quando me
disseres onde, vai doer-me muito mais.
Bruno Nogueira